|| Blog do Julio ||

Navegar é Preciso

Posted in Letras by Julio Dias on 18/04/2010

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar é preciso; viver não é preciso”.Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

Quadrilha

Posted in Letras by Julio Dias on 11/09/2009

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***

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

(Carlos Drummond de Andrade)

Os Ninguéns

Posted in Letras by Julio Dias on 04/07/2009

As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.

Os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos.

Que não são, embora sejam.

Que não falam idiomas, falam dialetos.

Que não praticam religiões, praticam supertições.

Que não fazem arte, fazem artesanato.

Que não são seres humanos, são recursos humanos.

Que não têm cultura, têm folclore.

Que não têm cara, têm braços.

Que não têm nome, têm número.

Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

(Eduardo Galeano)

São Paulo

Posted in Fotografia, Letras by Julio Dias on 05/06/2009
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São Paulo:
São Pessoas,
São Traumas,
São Ruas,
São tudo e nada,
São…
ou não São?!
São Paulo.

3 e pouco

Posted in Letras by Julio Dias on 04/04/2009

Não consigo dormir. Viro para um lado e para o outro. Nada. Sem sono algum. Não consigo dormir. Por isso te escrevi. Na verdade te escrevi porque tenho um monte de coisas para lhe dizer. O não-sono é conseqüência disso. Parece estranho. Certas palavras parecem mais fáceis de sair depois das três. Não sei por onde começar. Sei que não tenho sono. Esse não-sono é fruto do que tenho para lhe dizer. Tenho muito para lhe falar. Muito. Não quero tomar seu tempo. Por isso vou resumir o que tenho a dizer. Simplesmente te fazer saber. Informar. Não quero sono. Tampouco dormir. Só para pensar em você. Por isso te escrevi. Não quero mais dormir. Nunca…

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