|| Blog do Julio ||

Panis et Circensis

Posted in Música by Julio Dias on 26/06/2010

A Tropicália surgiu no final da década de sessenta, época marcada pela forte repressão da ditadura militar, incendiando a cultura musical brasileira. Exorcizando o marasmo “banquinho e violão” da Bossa Nova de João Gilberto, Tom Jobim e companhia e a antiga ideia de “qualidade musical” que havia naquele período, os tropicalistas cabeludos deram uma nova identidade à música popular tupinanquim.

Figuras como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes, principais destaques do movimento, munidos de canções recheadas de poesia misturada a ritmos regionais, performances artísticas e introduzindo as temidas guitarras elétricas, fizeram jus ao próprio nome, levando a conhecimento do grande público a diversidade musical que há em nosso país tropical.

Dentro desse contexto efervescente de produção cultural, surgiram obras antológicas para a música popular brasileira, como o disco coletivo Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela gravadora Philips em 1968, que mostrava desde sua capa até suas músicas a concepção arrojada desses jovens sem lenço nem documento propunham.

Reunindo os artistas hoje consagrados em suas melhores formas, a coletânea tropicalista tem como destaque as canções Geléia Brasil na voz de Gilberto Gil; Panis et Circensis e Bat Macumba, interpretadas pelOs Mutantes; Baby cantada por Gal Costa.

Neste álbum não habita nenhum acorde tocado a esmo. Cada música é uma experiência de imersão no experimentalismo que marcou a mudança da forma de sentir nossa própria música. Altamente recomendável para quem gosta de música.

Loki – Arnaldo Baptista

Posted in Cinema, Música by Julio Dias on 06/07/2009

Nesse fim de semana fui ao cinema ver o Documentário Loki, que conta a história de Arnaldo Baptista – o músico tido como louco por muitos – que é a alma dOs Mutantes.

Bom, para quem gosta de música e história esse filme é essencial. É um documentário recheado de depoimentos de pessoas próximas, ou que conviveram com esse grande “loki”, narrando os altos e baixos de sua vida. Muito emocionante.

Eu conhecia algumas músicas dos Mutantes, mas nunca tinha olhado além da “loucura” das letras e músicas, nunca havia parado para perceber toda profundidade das músicas de Arnaldo.  Sai da sala com vontade de voltar àquela época, escutar tudo. Pretendo ouvir mais coisas dessa grande “loki”.

Em suma, trata-se de um ótimo filme. Uma boa opção para conhecer um pouco mais da nossa música. Assista enquanto há tempo, vamos prestigiar o cinema nacional.

“Dizem que sou louco por pensar assim

Se eu sou muito louco por eu ser feliz

Mas louco é quem me diz

E não é feliz, não é feliz”